terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Aprender a conduzir


Lembram-se quando tiraram a carta de condução? Mais exactamente... lembram-se das aulas de condução?

[Antes de desenvolver mais este texto, quero dizer que estou a referir-me àquelas pessoas que não sabiam praticamente o que era o lugar do condutor de um automóvel... ]

Ora bem... quando eu tinha aulas de condução, aquilo era irreal. Andava a 40 km/h, ia para locais isolados e quase não tinha contacto com o trânsito, tinha de virar à esquerda exactamente a um ângulo de 90 graus (ou lá o que era, que sou má em ângulos...) e no eixo da via, tinha de ligar o pisca aí a uns 200 metros do obstáculo a ultrapassar, abrandar nos sinais de triângulo invertido e parar no stop, mesmo que a visibilidade antes dos sinais fosse nula.

Não aprendi para que serviam as mudanças, não aprendi quais os pontos de referência para fazer inversão de marcha num sítio estreito, não aprendi a estacionar entre dois carros e não meti mais do que a terceira.
Ou seja... quando acabei de tirar a carta estava quase tão ignorante como quando fui tirá-la.

Contudo, e depois de umas aulas extra dadas pelo meu paizinho, que me levou para estradas com curvas, me obrigou a meter as mudanças todas - e explicou-me como e por que razão é que metemos mudanças - lá parti para Lisboa, com 3 semanas de carta e não muito segura de que estava à altura dos desafios que tinha pela frente: IC19, Cabos Àvila, Av. das Descobertas, Belém, Junqueira e depois, está claro.. todo o resto da cidade - a incomparável e já extinta rotunda de Alcântara (que pesadelo!), a Av. de Ceuta, e por aí a fora. Aprendi a conduzir no meio da confusão e ainda hoje, apesar de viver no Algarve, sou uma condutora lisboeta de coração. A minha buzina não tem descanso e o vernáculo faria corar uma peixeira do Bulhão!

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Quando por acaso tenho o azar de ir atrás de um carro de uma escola de condução, penso cá para os meus botões que todo aquele rigor e lentidão serão sol de pouca dura. Aquele aprendiz vai, muito rapidamente, adoptar os maus hábitos de todos nós, ou não sobrevivirá nesta selva de alcatrão e chapa.


1 comentário:

rui disse...

Ich bin sprachlos! Vernáculo? Lá se vai a reputação de que "aquela não parte um prato"...